segunda-feira, 6 de junho de 2011

Se um dia eu vou te dizer que eu te amo




Se um dia eu vou te dizer que eu te amo isso não por causa da tua beleza física mas sobretudo é porque a tua elegância e beleza interior que sobressaem. Mais do que isso é porque eu vejo em ti uma uma mulher com potência para que eu e tu, nós os dois, pudermos dar o nosso melhor ao mundo e a nossa volta. Tu és uma mulher com qualidade. A beleza física é relativa e nada pode garantir a sua eternidade. Se a gente gosta de uma pessoa só pela beleza física, imagina se ela encontrar um acidente ou algo que faz com que ela perca a sua beleza física então esse momento será um desastre e será perigoso. A gente pode cair em tentação do divórcio. Todos nós não queremos este tal desastre acontece a nós e ninguém quer. Mas na vida ninguém sabe do futuro. Mas se apaixonarmos pela beleza interior e pela sua qualidade é que nós atraímos então essa paixão permanece para sempre seja o que for o aspecto físico no futuro. Mas a paixão deve vir por natural em cada coração do amante. Nada pode manipular a paixão e o amor. 
(Este pequeno texto não é dedicado a ninguém. Eu não escrevo para ninguém. É apenas uma pequena reflexão minha).



domingo, 5 de junho de 2011

Em caso da guerra, outros oficiais, escolhidos entre os datós






Em caso da guerra, outros oficiais, escolhidos entre os datós, e nomeados pelo governador português, comandam os guerreiros (Página 96 da última frase do primeiro parágrafo do Livro intitulado Timor em Guerra do René Pélissier). 



Com esta afirmação eu tenho certeza que o nome do meu bisavô o dato Jerimias Hahik  Wa'in deve estar nos alguns documentos oficias do Estado Timor-Português (deve estar num museu e arquivo do Estado Português sobre as suas colónias). 


Contaram a mim que ele era escolhido e chamado directamente pelo estado português em Timor-Português para fazer guerra ao lado dos portugueses. 


Dato Jerimias Hahik Wa'in era o sobrinho de D. João da Cruz (Liurai do reino de Funar) e cunhado de Liurai Luís Ferreira Soares que era Liurai do reino de Manelima. 



Devemos pensar que a história é só faz parte do passado. Nada mais nada menos. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Hierarquia da Sociedade Timorense





Eu não concordo com afirmação do Affonso de Castro que diz que se o escravo que obtém a liberdade pertence a um homem do povo, passa de escravo à segunda classe da sociedade mas, se ele pertence à primeira classe, o escravo passava, de um momento para o outro, a nobre.

Para a minha cultura e no reino de Funar esta declaração é totalmente falsa. Um escravo ou um homem livre nunca pode ter estatuto social igual ao dato ou ao liurai. Há sempre limitações. Há sempre diferença de tratamento sócio-cultural entre os escravos/homens livres com os datos/os reis. Os escravos/homens livres nunca podem ser iguais aos datos ou aos liurais. Eu vou dar um exemplo que podemos ver claramente essa diferença. Numa cerimónia ritual do reino ou numa cerimónia ritual da casa sagrada dos datos ou dos liurais, os escravos e os homens livres nunca podem sentar juntamente com os datos ou os liurais na mesma linha. Há sempre uma distância bem longe com os homens livres e enquanto os escravos não podem entrar para a casa sagrada dos datos e dos liurais. 


Isso enquanto eu falo em relação com as cerimónias rituais tradicionais das casas sagradas dos datos e dos liurais.

Para mim como ser humano e como cristão eu penso que nós os seres humanos somos iguais. Devemos ter igualdade de tratamento da sociedade. Isso sem dúvida.

Mas em relação com as casas sagradas, eu mesmo faço parte da classe social dos datos e dos liurais(família da minha mãe) eu não posso autorizar uma pessoa livre e um escravo entrar na minha casa sagrada (do pai) ou na casa sagrada da minha mãe. Porque não é a mim que não autorizo mas a casa sagrada é que não autoriza essas pessoas a entrar, a sacralidade da casa onde guarda os objectos sagrados e onde habitam os antepassados é que não autoriza. Os antepassados da casa sagrada dos datos e dos liruas é que não autorizam. Eu também tenho medo deles. Eu não posso quebrar as regras para permitir uma outra pessoa que não é da mesma classe social pode entrar na minha casa sagrada.

Em Timor ou pelo menos no reino de Funar as pessoas quando entram na casa sagrada dos datos ou dos liurais também já sabem se a sua classe social permite para possam entrar na casa sagrada dos datos-dos liurais ou não. Porque elas também têm medo se elas não fazem parte da classe social dos datos ou dos liurais então elas automaticamente já sabem e têm medo de entrar na casa sagrada dos datos ou dos liurais. Elas já sabem que elas não podem entrar.

Eu estou a escrever assim simplesmente por razão do sagrado da casa sagrada não pela minha vontade. É para clarificar esta declaração do Affonso de Castro. Talvez ele pudesse encontrar essa realidade nos outros reinos. Mas no reino de Funar e na maioria dos reinos que eu conheço acho que não. Não há essa mudança de classe social como ele referiu.

Mas como ser humano temos que ter consciência que somos iguais perante a lei de Deus e a lei do Estado. A diferença só existe enquanto estamos perante as cerimónias ou os rituais tradicionais sagrados das casas sagradas. Porque em Timor ainda há essa prática das cerimónias e rituais tradicionais sagrados. Só nesses momento é que há diferença entre nós timorenses agora na vida social-político-económico todos nós somos iguais. 


As Rainhas de Timor





Entre 55 reinos antigos que existiam em Timor(alguns desses reinos agora fazem parte ao Timor Ocidental-Indonésia), havia 12 reinos que foram reinados por Rainhas baseando nesse documento com data 28 de Fevereiro de 1815. Estes reino são:
6.       Alas : Por Rainha Coronela D. Liberata da Costa

8.       Erimera?

9.       Samoas:  Por Rainha Coronela D. Guimar de Amal

17.   Bibleo : Por Rainha D. Mariana da Costa

18.   Luca: Por Rainha D. Ana do Amaral
25. Laclo: Por Rainha Coronela D. Rosa de Carceres
28. Dotte: Por Rainha D. Catharina de Carceres
32. Laycore: Por Rainha D. Ana do Rosário
34. Bibiluto: Por Rainha Coronel D. Isabel de Carvalho da Silva
35. Funar: Por Rainha Coronela D. Esperança dos Santos Pinto
36. Elaco: Por Rainha D. Vicente da Costa
47. Lavantuca: Rainha D. Lourença Gonçalves

Em Timor as casas sagradas é que dão legitimidade de reinar como Liurai (Rei) ou Dato (um grau honorífico logo abaixo do Rei). Existem duas casas sagradas importantes de Liurai e de Dato que são casas sagradas  de Rota e e Loro. O Liurai e o Dato cada sempre tem essas duas casas sagradas.

A casa sagrada de Rota com função para governar um reino ou um conjunto de população. A casa sagrada Loro com função de fazer ritual de casamento, da morte, mais outros rituais sagradas importantes da vida ou da morte.

Normalmente a legitimidade de reinar como Rei ou Dato além de ter legitimidade por possuir rota (símbolo de reinar) mas sobretudo por ter a casa sagrada Loro o poder sobrenatural muito forte e sagrado de todas as outras casas sagradas.

Eu conheço pelo menos uma casa sagrada Loro em que uma mulher a tomar responsabilidade de guardar as coisas sagradas da casa sagrada Loro ( essa mulher era a avó do meu pai). Ela guardava uma lulik liurai Manelima.

Muito, muito antigamente o reino de Funar reinava 8 sukus. Por influências exteriores alguns sukus deixaram de fazer parte para o reino de Funar. Mais tarde já no reinado de D. José do Espírito Santo (o avô materna da minha mãe) que separou Fatumakerek e entregar o ao seu sobrinho muito amado António de Oliveira a governar. Fatumakerek em si por causa da guerra no tempo da Indonésia eles separaram-se alguns foram viver em Soibada, outros em Seurtulan. Funar e Fatumakerek já são dois sukus diferentes mas culturalmente nós somos um só e somos unidos para sempre porque somos de um só sangue.

Por isso a minha conclusão é que quando se fala sobre a discriminação do poder político entre homens e mulheres em Timor-Leste deve ter um certo cuidado. Devemos procurar o porque isso existe. Não concordo que todos se falam e se referem só como a causa é a cultura.

Porque tenho quase uma certeza absoluta que a cultura original de Timor valoriza a igualdade entre homens e mulheres. Até dá mais uma certa protecção e privilégio para as mulheres.  Mas por várias razões a discriminação acontece hoje em dia por falta de educação, formação, informação, cultura invasor e por circunstâncias da vida. Por isso para combater esse tipo de discriminação acho que devemos voltar a nossa raiz cultura, fazer educação cívica por estado e organização não governamental e a Igreja Católica. 


sábado, 28 de maio de 2011

Os guerreiros de Timor e a Bandeira Portuguesa




Eu quando vi esta fotografia que eu tirei do livro intitulado a História de Timor-Leste Por Frédéric Durand então lembrei-me da história que os meus familiares me contaram sobre o meu bisavô (do lado paterno) o guerreiro nobre Dato Jerimias Hahik Wa’in que defendia a bandeira portuguesa e fazia guerra ao lado dos portugueses. Ele era conhecido com o nome Dato Hahik e ele era o sobrinho do Rei de Funar D. João da Cruz.

Dato Hahik na sua vida, ele fazia guerra ao lado dos portugueses. Ele defendia a bandeira Portuguesa em Timor. Muitas guerras que ele participava a favor do Estado Português. Foi assim que o Estado Português numa altura da sua vida atribui-lhe um prémio.

O poder de reinar o reino de Funar passou do mão do seu tio para a mão de D. José do Espírito Santo que era o avô da minha mãe. Enquanto D. José do Espírito Santo ao subir ao trono como Rei, ele teve também apoio do governador de Timor-Português naquela altura. A sua tomada de posse foi realizada no palácio do governador de Timor-Português em Lahane - Dili. O meu bisavô continuava fazer a guerra ao lado dos portugueses e defender a bandeira portuguesa no território de Timor-Português (o antigo nome oficial de Timor-Leste).Todas as minhas gerações do lado paterno sempre tinham respeito aos reis que estavam a governar. Porque temos sempre relações familiares com os reis de Funar e os meus antepassados eram sempre fiéis aos reis e ao Estado Português.  Quando houvesse conflito dentro do reino de Funar os meus antepassados paternos procuravam sempre resolver por via pacífica e procuravam sempre proteger a parte mais fraca.
Eu hoje em dia, como pessoa humana sou muito simples e humildes. Eu procuro sempre ser humilde.  Eu tenho sempre respeito aos familiares do meu pai (do lado paterno e materno) e da minha mãe (do lado paterno e materno). Eu sou fiel e tenho muito respeito ao meu padrinho que actualmente é detentor do poder real de Funar. Mesmo Funar agora já não é um reino e já tornou como um suco pequeno (antigamente Funar era um reino antigo e grande) mas continua existir o poder real tradicional como acontece em todo lado de Timor e eu vou continuar respeitar isso como sempre e vou continuar respeitar todos os meus os familiares. Porque para mim na minha vida eu tenho que respeitar a Igreja Católica e as casas sagradas do meu pai ( do lado paterno e materno) e da minha mãe (do lado paterno e materno).  Ser humilde e respeitar todas as pessoas são algo muito importante da vida.
  

terça-feira, 17 de maio de 2011

As mulheres timorenses também podem governar?





Eu já ouvi muitas pessoas dizem que nos países em vias de desenvolvimento, as mulheres são vulneráveis e são tratadas discriminatoriamente comparando com os homens. A liberdade das mulheres é limitada. As mulheres não podem participar na vida política, social e religiosa. Afinal essas acusações não são totalmente verdadeiras. Mas também não são totalmente erradas. Cada caso é um caso.
Concordo que em todo o mundo há sempre discriminação racial, religiosa e género. Isso acontece também em Timor-Leste. Mas o que certo é nós estamos sempre a procurar melhor maneira de reduzir e de acabar com qualquer tipo de discriminação.  Mas há sempre coisas e funções diferentes entre homens e mulheres na família e na sociedade. O mais importante nós (homens e mulheres) devemos colaborar uns aos outros nas tarefas nas famílias e numa comunidade. Nós, homens, devemos ver as mulheres como parceiro da vida e vice-versa.
Na comunidade antiga de Timor-Leste, acreditamos que as mulheres são sagradas. Há uma expressão em Timor que diz: Feto Maromak.  Este tem significado as mulheres são deusas. Isso porque? Ora, em Timor antigamente a religião era animista. Acreditamos no poder da natureza; a montanha, o mar, o rio, as pedras, as florestas e acreditamos no poder das almas dos antepassados, etc.
Em todo o território de Timor há sempre casas sagradas. Casa sagrada é uma casa que guarda os objectos sagrados e que habitam nas coisas sagradas os antepassados sagrados. Cada clã tem a sua casa sagrada e as pessoas antigamente agrupam-se num reino. Apesar Timor é uma ilha tão pequena mas antigamente havia muitos reinos. Num reino havia muitas casas sagradas e entre casas sagradas haviam casas sagradas de Liurai (Rei em Português) e de Dato (Nobre abaixo do Liurai).  Hoje em dia por vários motivos já não existem reinos. Mesmo assim em cada freguesia ainda se encontram estrutura social tradicional. Ainda existem Liurai e Dato.  
Os timorenses dividem as casas sagradas em dois tipos. Casa sagrada Loro(em tétum), na minha língua idate chama-se Ada Lelo e casa sagrada Rota que se traduz para a minha língua é Ada Ua ou em tétum Uma Rota. Casa sagrada Lelo é que tem função guardar os objectos sagrados, habitam os antepassados sagrados, fazem-se ritual da vida, do casamento, colheita e da morte neste casa sagrada. Todas as clãs podem ter essa casa sagrada para organizar as suas vidas como estão mencionados em cima ( ou por exemplo para orar antes de semear as hortas e ou depois de fazer colheita, cerimónia da morte, cerimónia do casamento, etc).
Agora num reino, antigamente, havia sempre classe social superior que era Liurai e Dato. O liurai e o dato além de ter casa sagrada Lelo, tinham também casa sagrada Ua. As casas sagradas Ua tinham como função de governar o povo. O liurai(Rei) tinha função como chefe de um reino. O dato tinha função na área da justiça e da guerra. Na minha crença tradicional estas casas sagradas Lelo ou de Liurai ou de Dato ou mesmo uma casa sagrada Lelo com uma classe social abaixo do Liurai ou do Dato e ou de qualquer geração nós consideramos sempre que a casa sagrada Lelo é uma casa sagrada Mulher. O nome da casa sagrada é considerado também com o nome Casa Sagrada Mulher.  Enquanto nas casas sagradas de Dato e de Liurai consideramos que casa sagrada Lelo é mulher e casa sagrada Ua é homem. Os dois devem estar sempre unidos.
Acontece que nos reinos antigos de Timor já havia as mulheres que governavam o reino como rainha. Por exemplo Rainha de Camenassa (Camenassa) como se podem verificar na fotografia em cima e no reino de Funar que já foi governado por uma rainha que também se podem verificar num documento em cima com número 35.   Estes documentos e fotografias da Rainha de Suai têm datas diferentes. 
Estes dois reinos eram dois dos reinos mais antigos que existiam em Timor. Então isso para dizer o que? É simplesmente isso para dizer que as ideias de algumas pessoas que pensam que as mulheres não podem governar ou as mulheres em Timor eram muito discriminadas desde tempos antigos não são totalmente verdadeiras. Mas eu não posso dizer também que não há discriminação ou mau trato para as mulheres. Porque sim, existe a discriminação e mau trato para as mulheres feitos por alguns homens. Tem muitas factores que podem levar um homem a praticar violência contra a sua mulher. Esse situação também tem a ver com a educação de cada pessoa, situação económica, a mentalidade, atitude, o ambiente, etc. 

SERÁ QUE TIMOR-LESTE É UM PAÍS CATÓLICO?






Os missionários portugueses foram os primeiros europeus que chegaram em Timor em 1515. Depois em 1651 chegaram também os holandeses na qual conseguiram conquistar e ocupar a parte ocidental da ilha. Em 1859 houve um tratado assinado entre estes dois países europeus para dividir a ilha em duas partes. Timor Ocidental fez parte aos holandeses e Timor Oriental (Timor-Leste) fez parte aos portugueses. Foram os portugueses e holandeses que fixaram a fronteira que funciona até hoje em dia. Timor Ocidental hoje em dia faz parte à República da Indonésia e Timor Oriental tornou-se independente em 1975 e veio restaurar a sua independência em 2002.
Foi por causa desta divisão entre Portugal e Holanda faz surgir as diferenças em termos da religião. Timor Ocidental tem como a maioria população abraça a religião calvinista e em Timor Oriental a sua população na maioria é católico.
Mesmo assim, em Timor Ocidental ainda há algumas zonas que preservam bem a religião católica. Mesmo os holandeses tentaram espalhar a sua religião mas essas zonas continuam abraçar fortemente a religião católica. Essas zonas como por exemplo Larantuka, Flores, Alor e Atambua. Em Alor e Atambua as suas populações dividem-se nestas duas religiões. Enquanto em Larantuka e Flores, eles ainda são católicos e continuam saber rezar em português.
Enquanto em Timor-Leste hoje em dia é conhecido com um país com a maioria da sua população é católica. Mesmo assim não se pode esquecer que no tempo português a religião católica não penetra profundamente na população timorense. Ainda houve grande maioria população que continuava praticar as suas crenças tradicionais. Como podemos verificar no mapa datado em 1882. Até algumas regiões não existiam religião católica. Todas estas regiões no mapa antigamente funcionavam como reinos. Por isso os reinos que não tinham influência da religião católico neste data eram Suai, Atsabe, Manufahi, Cailaco, Cotobaba-Sanir-Balibo. Todos os seus povos eram animista. Enquanto que outros reinos como Cova, Maubara, Liquiça, Deribate, Ermera, Liquiça, Dailor, Faturo e Sarau tinham um número muito pequeno da religião católica. Mas no reino de Oecusse a sua população era na maioria da religião católica e depois a seguir o reino de Manatuto, Alas,  Barique, Vemasse/Laga, Díli, Laclo/Laleia, Viqueque, Ambeno, Luca, Motael, Venilale e Funar.
Por acaso os meus familiares fazem parte do reino de Funar. Aliás no reino de Funar os meus antepassados do lado da minha mãe e do meu pai foram as primeiras pessoas que foram baptizadas.
Ao passo que Laklubar antigamente faz parte ao reino de Samoro. Foi por isso que não apareceu neste mapa em 1882. Mas Funar sim. Funar apareceu porque antigamente Funar era um dos reinos que existia no território de Timor Oriental. Há muita gente não sabe disso. Os que sabem só os que têm interesse na cultura e na história. Laklubar só posteriormente tornou-se como reino a parte do Samoro depois de ter recebido “sorte” de duas localidades: Susuk e Orlau.
No tempo português, o Estado de Portugal não interferiu muito na vida do povo timorense. Cada um era livre de fazer os seus rituais tradicionais segundo as suas crenças tradicionais. Agora era diferente no tempo da ocupação da Indonésia. O Estado da Indonésia nas suas leis obrigava para que cada cidadão tinha que ter uma religião. Quem não tivesse a religião era idêntico como revoltoso ou como comunista. O comunismo era muito proibido em Indonésia naquela altura. Então o povo timorense foi abraçando à religião católica em toda o território de Timor Oriental. Foi assim que o número da religião católica cresceu brutalmente. Era uma forma de resistir contra o islamismo da Indonésia. É porque Indonésia era e é considerado como o país que têm mais número de crentes do islão no mundo. O maior país islão do mundo. Mas mais do que isso é porque Timor Oriental já está ligado há séculos com o catolicismo. Catolicismo não é algo estranho. O catolicismo já existe no meio dos timorenses. Era contrário com o islão. O povo timorense acabou de conhecer o Islão depois da invasão da Indonésia. Então quando era para escolher, o povo timorense na sua maioria escolheu religião católica como a sua religião. Por isso hoje em dia em Timor-Leste a religião que tem maior número de crentes é a religião católica. Aliás no sudeste asiático há dois países que tem na sua população o maior número dos católicos. Esses países são Filipina e Timor-Leste. Por isso foi um erro muito grande quando o primeiro governo constitucional formado por partido Fretilin entrou em conflito com a igreja católica. O conflito entre a Fretilin e a Igreja Católico surgiu por causa da diferença percepção no ensino da religião nas escolas públicas.
Este conflito tornou cada vez mais complicado e tornou cada vez pior e posteriormente levou a hierarquia da Igreja Católica organizou uma manifestação pacífica quase um mês. Eu afinal antigamente era simpatizante da Fretilin. Eu era simpatizante da Fretilin porque a Fretilin sofreu muito durante a resistência pela libertação de Timor-Leste. Mais do que isso é porque em 1975 o meu avô também era um dos principais delegados da Fretilin em Funar.  Em 1975 o meu avô, o chefe aldeia de Bamatak e chefe aldeia de Fahilihun receberam a entrada da Fretilin em Funar. Mas quando aconteceu manifestação da Igreja Católica eu fiquei triste. Nós não devemos esquecer que durante a resistência, a Igreja Católica assumiu o papel muito importante na luta. Depois da libertação na constituição da República reconhece a participação da Igreja Católica na resistência pela libertação da pátria. Então durante a manifestação da Igreja Católica eu de vez em quando fui participar rezar a noite com os outros manifestantes no Jardim de Lecidere, o sítio na qual concentraram todos os manifestantes de todo o território de Timor-Leste. A partir deste acontecimento eu decidi não continuar ficar como simpatizante da Fretilin. Eu queria ser independente e ser um académico para eu puder contribuir ou dar opiniões ao processo de desenvolvimento do país sem misturar coisas partidárias.
Então será que Timor-Leste é um país católico? Pois Timor-Leste é um estado laico mesmo assim a prática da religião católica ainda é grande e é muito bem visível em todo lado do território. Mais do que isso o Catolicismo já não é só como o maior religião de Timor-Leste mas também já se tornou como uma identidade do povo timorense. Uma identidade que já penetra na alma de cada timorense.