quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A vida é uma peregrinação



A vida é uma peregrinação
Estamos a caminhar em cada segundo
Em cada minuto
Em cada hora
Em cada dia que passamos
Ou melhor dizer que em cada respiração que fazemos
Estamos sempre a caminhar
Mesmo estamos a caminhar lentamente
E até muitas vezes sem ter a consciência disso
Mas estamos sempre a caminhar.

É uma obrigação a caminhar
E quando chegarmos num determinado momento
Ou num determinado tempo
Olhamos para trás e percebemos quantas distâncias
Que nós já conseguimos fazer nesta caminhada da vida
Mas para isso é preciso ter paciência, coragem, força
Oração e a inteligência a funcionar
Para que as coisas da vida têm mais sentido.



Moris ne’e peregrinasaun ida
Ita la’o iha kada segundu
Iha kada oras
Iha kada loron ne’ebé ita liu
Ou karik di’akliu ita dehan iha kada respirasaun ita nian
Ita la’o hela iha moris ne’e
Biar ita la’o neineik hela
No até dala barak ita la iha konsiénsia
Maibé ita la’o hela nafatin.

Maka obrigasaun ida atu ita la’o
No bainhira ita to’o iha momentu balu
Ou iha tempu balu
Ita haree hikas ba kotuk
No ita bele hatene katak distánsia hira ona
Maka ita konsege la’o ona iha dalan moris ida-ne’e
Maibé ba ne’e ita presiza maka iha pasiénsia, brani, forsa
Orasaun no matenek funsiona
Atu sasan moris nian sira iha liután sentidu.

Hercus Santos 


domingo, 4 de setembro de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pão da Vida




Há pessoas que pensam que na vida o dinheiro é tudo. Eu concordo que sem dinheiro não se pode fazer nada na vida. Eu pessoalmente penso que dinheiro é importante mas não é tudo. O tudo para mim é quando nós chegamos num ponto em que sentimos bem com aquilo que fazemos. Sentimos realizados. Sentimos felizes na vida mesmo a vida tem coisas menus boas, obstáculos, desafios e dificuldades. Porque eu acredito que a felicidade não vem por falta das dificuldades ou seja a felicidade não é sinal da ausência dos sofrimentos. 
Eu acredito muito que na vida é melhor fazer algo bom para a sociedade. Fazer pesquisas, estudos, ensinar numa universidade e dar palestras na sociedade é algo que mais atrai a mim. Neste caso porque eu tenho interesse muito em direito e a cultura então eu vou me focar nestes duas áreas. Fomentar direito com espírito cultural timorense. Isso é a minha intenção da vida. Mais do que isso para mim se eu puder fazer alguma coisa para a sociedade será melhor. Ou se eu entrar num partido político é para servir Deus nos outros. Partido político ou uma organização não governamental ou uma entidade qualquer se eu entrar é para servir Deus através das pessoas
            Na bíblia Jesus já disse «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mat, 4:4). No tempo de Jesus em que não se valorizava muito a importância de dinheiro o pão era símbolo da vida. Pão era o alimento principal no tempo de Jesus. Não tinha pão não tinha vida. Aqui neste contexto podemos simbolizar o pão como símbolo de dinheiro. Porque com dinheiro podemos comprar alimento para viver. Dinheiro dá para pudermos viver. Então hoje em dia o dinheiro é símbolo da vida. Se não tem dinheiro não tem vida. Mas Jesus já nos ensina que afinal não. Esse pensamento é errado. Pois o dinheiro é importante mas não é tudo. Não é a essência da vida. Essência da vida é fazer a vontade de Deus e depois tudo se acrescenta e mais do que isso acreditar em Jesus. Jesus é o verdadeiro pão da vida. 


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu, Igreja Católica e o Partido Político






A minha participação na vida política deve trazer o bem para a sociedade, para a vida dos outros, para a igreja católica. Para mim o partido político pode ser um dos meios para servir Deus, para a maior glória de Deus. Se não for assim eu vou desistir de qualquer partido político. Porque eu sou um homem livre e tenho toda a liberdade de escolher qualquer partido político que eu acho melhor. Mas todo para melhor servir Deus e os outros. Eu não prefiro ser uma pessoa importante em Timor nem quero muito dinheiro. Eu quero ser um homem simples com pouco que tenho mas posso fazer bem aos outros. Algo do mundo não vale nada. Um dia cedo ou tarde todos nós vamos deixar esta vida terrena e nós não vamos levar nenhum material connosco. É melhor fazer coisas boas para deixar no mundo para as pessoas puderem relembrar de nós. Servir Deus através dos outros, na comunidade na Igreja Católica. Se qualquer partido entrar em conflito com Igreja Católica então com muita pena eu tenho que deixar.
Eu já mostrei isso quando houve algum desentendimento entre partido Fretilin que eu era militante e que o meu avô também em 1975 era um dos delegados da Fretilin em Funar e o meu pai também fazia parte deste partido. Por fazer parte deste partido então em 1975 o meu pai fugiu para mato e foi assim que morreram os meus dois irmãos gémeos e uma irmã na guerra por causa da fome e do frio. Os meus pais tiveram uma longa história sobre isso. O seu comandante era um dos membros da Comité Central da Fretilin(CCF) chama-se Diogo Moniz da Silva. O pai de um dos meus primos. Dizem que ele assumiu um dos cargos importantes na primeira formação do governo da Fretilin em 1975. Porque Diogo Moniz da Silva morreu? Isso deixa para os historiadores a descobrir. Acho que os principais membros da CCF deviam saber o processo histórico e o porque ele morreu. Foi assim que o meu pai também não estava seguro naquele momento. Mas o que certo naquele momento havia duas fracções no seio da Fretilin. Então no tempo da Indonesia estamos a viver bem com os inimigos mas o nosso coração e a nossa alma sempre ligava sempre ao espírito da libertação da pátria. Mas naquela altura tivemos muito medo. Desconfiámos quase toda a gente. Então rezamos e vivemos sempre com esperança e de sonho um futuro Timor-Leste independente.
Em 1999, os meus pais em Laklubar fugiram para montanha e as milícias estavam a procura dos meus pais e da minha irmã para matar. Porque na minha casa estava tudo colado as fotografias do Xanana Gusmão e a bandeira do CNRT. A minha irmã ajudava UNAMET como local polling staff então dizem que foram elas as pessoas da "local polling staff da UNAMET" que ajudaram as populações idosas a votar pela independência. Então eles todos fugiram a esconder da milícia e dos militares indonésios. Eles foram para Funar, um suco que fica atrás de Laklubar. Lá os meus famíliares todos ajudaram as populações que refugiam em Funar. Em Funar o chefe de suco era o meu tio. O irmão da minha mãe. Foi ele que proibiu toda a população para não sair de Funar e ele organizou para atender bem as pessoas que foram refugiar em Funar. Essas pessoas eram pessoas cidadãos simples e da rede clandestina de Laklubar.
Eu estava a estudar no colégio de São José em Díli, o único colégio dos jesuítas em Timor-Leste. Eu com alguns familiares fomos obrigado a fugir para Kupang outro lado da ilha. Em Kupang eu procurei fugir para Austrália mas não consegui. Quando Interfet entrou para Timor-Leste com ajuda dos Padres da Igreja Assumpta com um tio meu (o cunhado de D. Carlos, SDB) nós voltámos para Timor-Leste em Setembro 1999.
Então em 2001 eu votei pela Fretilin para formar o primeiro governo constitucional. Eu estava contra os meus familiares da UDT. Eu entrava sempre em discussão com eles e eu defendia sempre Fretilin. Eu era simpatizante muito radical da Fretilin dentro da minha grande família. Eu como venho de uma família muito grande então eu tenho relações familiares com muitas pessoas. Eu tenho ligação familiar com um dos fundadores da UDT e um dos fundadores da Apodeti (partido pró indonésia) mesmo assim o meu avô, o meu pai com todos os seus irmãos eram da Fretilin e eu também era da Fretilin. Mas a minha mãe já era diferente, ela era da UDT. Os primos do meu pai eram da Apodeti. Por isso todos os meus familiares conheciam bem que eu era simpatizante radical da Fretilin. O meu pai já não tem vontade de participar na vida política. Os irmãos do meu pai ainda continuam ser simpatizantes principais da Fretilin em Funar. Hoje em dia os meus familiares espalham por todo os partidos políticos. Desde Fretilin, CNRT, UDT, PD, PSD, ASDT, etc. No tempo da Independência somos livres de escolher qualquer partido que achamos melhor servir o povo. 
Eles todas conheciam bem a mim que eu era da Fretilin. Mesmo assim como a minha família é uma família democrática então nós pudermos aceitar as diferenças de opiniões políticas entre nós. Para mim o mais importante e uma coisa inquestionável é a independência da pátria. Quando já estamos independentes então todos os partidos políticos têm o mesmo direito em governar o país desde que tem apoio do povo através da eleição. Mas devemos contruir Timor-Leste baseando nos valores culturais de Timor-Leste e valores cristãs da Igreja Católica.
Só que este partido entrou em conflito com a Igreja Católica e levou a Igreja Católica fazer manifestação durante muitos dias então eu decidi desde esse tempo para não votar mais nesse partido. Para mim Igreja Católica é muito importante. Por isso com  pedido de alguns amigos da família eu entrei num outro partido que respeita a democracia, tem boa relação com a Igreja Católica e com Portugal. Mas se este partido um dia entrar em conflito com a Igreja Católica então eu não vou pensar duas vezes para deixar também. Mas acredito que não. Porque este partido tem pessoas com visão democrática; um partido democrático e eu sou uma pessoa que respeita as diferenças que existem sem recorrer a violência, respeitar a dignidade da pessoa humana, a liberdade, as diferenças das opiniões políticas, religiões, culturais dos outros. 
Num país independente devemos ter o espírito de abertura, democracia, diálogo, amizade mesmo somos diferentes em alguns aspectos da vida mas pudemos contribuir para a paz e o desenvolvimento do povo, da pátria e da Igreja.

Oração de Santo Inácio





Na casta tradicional antiga timorense a família do meu pai era conhecida como guerreiro e juiz foi assim que eu gosto muito da ordem religiosa da Companhia de Jesus. Santo Inácio era um guerreiro nobre do país basco   que converteu e mudou a sua vida e serviu para a Maior Glória de Deus (Ad Maiorem Dei Gloriam) mas mais do que isso eu gosto mais na sua bela oração. Uma oração de total entregue ao Deus. Porque no mundo tudo passa, as coisas vêm e vão, mas Deus existe sempre. Confio sempre em Deus. Hoje eu posso tornar pior e amanha eu posso tornar melhor ou vice versa mas o que certo é Deus existe sempre e eu sempre ponho a minha total confiança em Deus. Só Deus é que pode tirar a minha fé Nele. Sou apenas um ser humano simples que tenho pontos positivos e negativos como os outros seres humanos mas mais do que isso com minha fragilidade  como ser humano eu acredito em Deus. 






O meu melhor oração de sempre

Oração de Santo Inácio

1. Tomai Senhor e recebei
Toda a minha liberdade,
A minha memória
E o meu entendimento,
Toda a minha vontade
E tudo o que eu possuo.
Vós mo destes,
A Vós o restituo.

2. Tudo é Vosso: disponde
Pela vossa vontade.
Dai-me apenas, Senhor,
O Vosso amor e graça,
Que esta me basta,
Que esta me basta.

Eu procuro traduzir isso para tetum
Orasaun husi Santu Inácio
1.      Na’i foti no simu ba
ha’u-nia liberdade  tomak,
ha’u-nia memória,
no ha’u-nia matenek,
Ha’u-nia hakarak tomak
No buat hotu ne’ebé maka ha’u soi
Ita-Boot maka haraik mai ha’u
No ha’u fó fila hikas ba Ita-Boot.
2.      Buat hotu Ita-Boot nian: lori halo tuir
Ita-Boot nia hakarak.
Haraik de’it mai ha’u, Na’i,
Ita-Boot nia domin no
Ita-Boot nia grasa,
Tanba domin no grasa Ita-Boot nian de’it to’o ona mai ha’u!

Tradusaun husi Hercus Santos

Eu e Mana Kirsty Sword Gusmão

Eu contribui também para as actividades que ela está a fazer em relação com línguas locais.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Associação dos Estudantes Timorenses de Braga, é uma utopia?

                


        Desde cá cheguei alguns conterrâneos meus apresentaram a mim uma ideia de fundar de novo Associação dos Estudantes Timorenses de Braga (AETB). Fundar de novo porque antes já existia essa associação( como a fotografia em cima indica). Em princípio eu aceitei esta bela iniciativa. Acho que uma associação dos estudantes timorenses deveria existir em Braga. Como nós sabemos uma associação tem como objectivo é sempre procurar solucionar alguns problemas que existem de uma forma melhor e adequada e pode tornar como um meio de estreitar laço de amizade, fraternidade, união entre nós os timorenses. Mais do que isso pode ser como um meio de como nós intervir melhor na sociedade onde estamos através da apresentação cultural, palestras, etc.
            Temos essa ideia comum de fundar de novo uma associação dos estudantes timorenses de Braga. Em várias actividades conseguimos fazer com este nome. Já tinha uma estrutura temporária para assumir temporariamente as actividades necessárias como por exemplo retiro de Páscoa em Soutelo juntamente com os estudantes timorenses do Porto, festa de confraternização entre os estudantes timorenses que se encontram em Portugal no Porto 2009, a recepção dos ministros dos estrangeiros e da educação, etc.
            Eu com alguns conterrâneos tentamos levar essa ideia pela frente.  Para realizar formalmente essa associação conseguimos fazer algumas reuniões com maioria dos estudantes timorenses que se encontram em Braga. Na última reunião conseguimos formar uma comissão para fazer Assembleia Geral para a aprovação dos estatutos da fundação de uma associação dos estudantes timorenses em Braga. Nesta reunião eu tive apoio de todos os conterrâneos para liderar esta Assembleia Geral e foi indicado também na reunião o conterrâneo Mario Tilman para dar apoio técnico na elaboração das actividades da Assembleia Geral.
            Está em baixo  o formato do plano da Assembleia Geral. Mas infelizmente este ideia de fundar de novo uma associação dos estudantes timorenses de Braga não foi concretizada por vários motivos.
Afinal acabei de ter consciência que é difícil reunir todas as pessoas de diferentes background, ideias, interesses e de tempo. Mais do que isso para mim uma associação de carácter intelectual deve ser bem pensada para fundar e não se pode fundar como se fosse uma obrigação mas deve ser como uma necessidade. Se não tivermos necessidade de existir essa tal associação é melhor desistir. Por isso uma associação dos estudantes timorenses de Braga fica por não existir.



ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES TIMORENSES DE BRAGA (AETB)
             ASSEMBLEIA GERAL DE APROVAÇÃO DO ESTATUTOS

I.                    Apontamentos das actividades históricas

Data                               Actividades                                 Resoluções       
                                                               
24    e Junho de 2010                                                                   
1.      Primeira reunião de Assembleia                                      

        - Prefacio                                                                 
                                               - Missão
                                               - Visão
                                               - Objectivos
                                               - Programa
                                               - Organograma
                                               - Artigos; 5, 7,8,10,20…
                                        2.   Forma equipa de trabalho

 27 de Julho 2010 
                                      1.  Encontro equipa de trabalho      Revê  os
                                                                                                     assuntos anteriores

                                             - Prefacio                                                                                                                          - Missão
                                               - Visão
                                               - Objectivos
                                               - Programa
                                               - Organograma
                                               - Artigos; 5, 7,8,10,20…
                                      2. Traça agenda do encontro de Assembleia
               Geral, tempo, procedimento, regras.
II.  Programa (Agenda)
2.1. Horário de encontro da Assembleia-Geral

Horas                                    Programa                                        Responsável
9.30-9.34h                          Introdução /abertura                    Moderador
9.34-9.40h                          Breves palavras                               Presidente da equipa  formatura
9.40-10.25h                        Debates 1ª fase                              Presidente da mesa, moderador
10.25-11.05h                     Debates 2ª fase                                idem
11.05-11.20h                     Conclusão                                          Mesa assembleia
11.20-11.30h                     Enceramento                                   Presidente da comissão
 2.2. Composição da Assembleia Geral
1. Presidente da mesa                     Hercus dos Santos
2. Secretario                                      1. Maríto Maia
                                                               2. Maria Lurdes
3. Moderador                                   Mário V. Tilman
4. Vogal                                               Paulo Alves
5. Membros                                      1. Filomena Tilman
                                                            2. Paulo S. Martins
2.3. Procedimentos
1. Exploração das ideias, perguntas, intervenções
2. Debates
3. Votação
4. Aprovação os artigos do estatuto

2.4. Regras do encontro da Assembleia-Geral
1. Cada membro da assembleia-geral tem direito de fazer intervenções; expressar as suas ideias e fazer perguntas.
2. Cada membro da assembleia-geral só tem direito de fazer uma oportunidade de fazer pergunta e intervenção.
3. As perguntas não podem ser repetitivas
4. Mesa da assembleia geral pode dar respostas dentro da sua possibilidade
5. Mesa assembleia geral tem direita de fazer intervenção para manter o bom funcionamento do encontro.

Obrigado pela participação.
Braga, 24 de Julho de 2010

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Se um dia eu vou te dizer que eu te amo




Se um dia eu vou te dizer que eu te amo isso não por causa da tua beleza física mas sobretudo é porque a tua elegância e beleza interior que sobressaem. Mais do que isso é porque eu vejo em ti uma uma mulher com potência para que eu e tu, nós os dois, pudermos dar o nosso melhor ao mundo e a nossa volta. Tu és uma mulher com qualidade. A beleza física é relativa e nada pode garantir a sua eternidade. Se a gente gosta de uma pessoa só pela beleza física, imagina se ela encontrar um acidente ou algo que faz com que ela perca a sua beleza física então esse momento será um desastre e será perigoso. A gente pode cair em tentação do divórcio. Todos nós não queremos este tal desastre acontece a nós e ninguém quer. Mas na vida ninguém sabe do futuro. Mas se apaixonarmos pela beleza interior e pela sua qualidade é que nós atraímos então essa paixão permanece para sempre seja o que for o aspecto físico no futuro. Mas a paixão deve vir por natural em cada coração do amante. Nada pode manipular a paixão e o amor. 
(Este pequeno texto não é dedicado a ninguém. Eu não escrevo para ninguém. É apenas uma pequena reflexão minha).



domingo, 5 de junho de 2011

Em caso da guerra, outros oficiais, escolhidos entre os datós






Em caso da guerra, outros oficiais, escolhidos entre os datós, e nomeados pelo governador português, comandam os guerreiros (Página 96 da última frase do primeiro parágrafo do Livro intitulado Timor em Guerra do René Pélissier). 



Com esta afirmação eu tenho certeza que o nome do meu bisavô o dato Jerimias Hahik  Wa'in deve estar nos alguns documentos oficias do Estado Timor-Português (deve estar num museu e arquivo do Estado Português sobre as suas colónias). 


Contaram a mim que ele era escolhido e chamado directamente pelo estado português em Timor-Português para fazer guerra ao lado dos portugueses. 


Dato Jerimias Hahik Wa'in era o sobrinho de D. João da Cruz (Liurai do reino de Funar) e cunhado de Liurai Luís Ferreira Soares que era Liurai do reino de Manelima. 



Devemos pensar que a história é só faz parte do passado. Nada mais nada menos. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Hierarquia da Sociedade Timorense





Eu não concordo com afirmação do Affonso de Castro que diz que se o escravo que obtém a liberdade pertence a um homem do povo, passa de escravo à segunda classe da sociedade mas, se ele pertence à primeira classe, o escravo passava, de um momento para o outro, a nobre.

Para a minha cultura e no reino de Funar esta declaração é totalmente falsa. Um escravo ou um homem livre nunca pode ter estatuto social igual ao dato ou ao liurai. Há sempre limitações. Há sempre diferença de tratamento sócio-cultural entre os escravos/homens livres com os datos/os reis. Os escravos/homens livres nunca podem ser iguais aos datos ou aos liurais. Eu vou dar um exemplo que podemos ver claramente essa diferença. Numa cerimónia ritual do reino ou numa cerimónia ritual da casa sagrada dos datos ou dos liurais, os escravos e os homens livres nunca podem sentar juntamente com os datos ou os liurais na mesma linha. Há sempre uma distância bem longe com os homens livres e enquanto os escravos não podem entrar para a casa sagrada dos datos e dos liurais. 


Isso enquanto eu falo em relação com as cerimónias rituais tradicionais das casas sagradas dos datos e dos liurais.

Para mim como ser humano e como cristão eu penso que nós os seres humanos somos iguais. Devemos ter igualdade de tratamento da sociedade. Isso sem dúvida.

Mas em relação com as casas sagradas, eu mesmo faço parte da classe social dos datos e dos liurais(família da minha mãe) eu não posso autorizar uma pessoa livre e um escravo entrar na minha casa sagrada (do pai) ou na casa sagrada da minha mãe. Porque não é a mim que não autorizo mas a casa sagrada é que não autoriza essas pessoas a entrar, a sacralidade da casa onde guarda os objectos sagrados e onde habitam os antepassados é que não autoriza. Os antepassados da casa sagrada dos datos e dos liruas é que não autorizam. Eu também tenho medo deles. Eu não posso quebrar as regras para permitir uma outra pessoa que não é da mesma classe social pode entrar na minha casa sagrada.

Em Timor ou pelo menos no reino de Funar as pessoas quando entram na casa sagrada dos datos ou dos liurais também já sabem se a sua classe social permite para possam entrar na casa sagrada dos datos-dos liurais ou não. Porque elas também têm medo se elas não fazem parte da classe social dos datos ou dos liurais então elas automaticamente já sabem e têm medo de entrar na casa sagrada dos datos ou dos liurais. Elas já sabem que elas não podem entrar.

Eu estou a escrever assim simplesmente por razão do sagrado da casa sagrada não pela minha vontade. É para clarificar esta declaração do Affonso de Castro. Talvez ele pudesse encontrar essa realidade nos outros reinos. Mas no reino de Funar e na maioria dos reinos que eu conheço acho que não. Não há essa mudança de classe social como ele referiu.

Mas como ser humano temos que ter consciência que somos iguais perante a lei de Deus e a lei do Estado. A diferença só existe enquanto estamos perante as cerimónias ou os rituais tradicionais sagrados das casas sagradas. Porque em Timor ainda há essa prática das cerimónias e rituais tradicionais sagrados. Só nesses momento é que há diferença entre nós timorenses agora na vida social-político-económico todos nós somos iguais. 


As Rainhas de Timor





Entre 55 reinos antigos que existiam em Timor(alguns desses reinos agora fazem parte ao Timor Ocidental-Indonésia), havia 12 reinos que foram reinados por Rainhas baseando nesse documento com data 28 de Fevereiro de 1815. Estes reino são:
6.       Alas : Por Rainha Coronela D. Liberata da Costa

8.       Erimera?

9.       Samoas:  Por Rainha Coronela D. Guimar de Amal

17.   Bibleo : Por Rainha D. Mariana da Costa

18.   Luca: Por Rainha D. Ana do Amaral
25. Laclo: Por Rainha Coronela D. Rosa de Carceres
28. Dotte: Por Rainha D. Catharina de Carceres
32. Laycore: Por Rainha D. Ana do Rosário
34. Bibiluto: Por Rainha Coronel D. Isabel de Carvalho da Silva
35. Funar: Por Rainha Coronela D. Esperança dos Santos Pinto
36. Elaco: Por Rainha D. Vicente da Costa
47. Lavantuca: Rainha D. Lourença Gonçalves

Em Timor as casas sagradas é que dão legitimidade de reinar como Liurai (Rei) ou Dato (um grau honorífico logo abaixo do Rei). Existem duas casas sagradas importantes de Liurai e de Dato que são casas sagradas  de Rota e e Loro. O Liurai e o Dato cada sempre tem essas duas casas sagradas.

A casa sagrada de Rota com função para governar um reino ou um conjunto de população. A casa sagrada Loro com função de fazer ritual de casamento, da morte, mais outros rituais sagradas importantes da vida ou da morte.

Normalmente a legitimidade de reinar como Rei ou Dato além de ter legitimidade por possuir rota (símbolo de reinar) mas sobretudo por ter a casa sagrada Loro o poder sobrenatural muito forte e sagrado de todas as outras casas sagradas.

Eu conheço pelo menos uma casa sagrada Loro em que uma mulher a tomar responsabilidade de guardar as coisas sagradas da casa sagrada Loro ( essa mulher era a avó do meu pai). Ela guardava uma lulik liurai Manelima.

Muito, muito antigamente o reino de Funar reinava 8 sukus. Por influências exteriores alguns sukus deixaram de fazer parte para o reino de Funar. Mais tarde já no reinado de D. José do Espírito Santo (o avô materna da minha mãe) que separou Fatumakerek e entregar o ao seu sobrinho muito amado António de Oliveira a governar. Fatumakerek em si por causa da guerra no tempo da Indonésia eles separaram-se alguns foram viver em Soibada, outros em Seurtulan. Funar e Fatumakerek já são dois sukus diferentes mas culturalmente nós somos um só e somos unidos para sempre porque somos de um só sangue.

Por isso a minha conclusão é que quando se fala sobre a discriminação do poder político entre homens e mulheres em Timor-Leste deve ter um certo cuidado. Devemos procurar o porque isso existe. Não concordo que todos se falam e se referem só como a causa é a cultura.

Porque tenho quase uma certeza absoluta que a cultura original de Timor valoriza a igualdade entre homens e mulheres. Até dá mais uma certa protecção e privilégio para as mulheres.  Mas por várias razões a discriminação acontece hoje em dia por falta de educação, formação, informação, cultura invasor e por circunstâncias da vida. Por isso para combater esse tipo de discriminação acho que devemos voltar a nossa raiz cultura, fazer educação cívica por estado e organização não governamental e a Igreja Católica. 


sábado, 28 de maio de 2011

Os guerreiros de Timor e a Bandeira Portuguesa




Eu quando vi esta fotografia que eu tirei do livro intitulado a História de Timor-Leste Por Frédéric Durand então lembrei-me da história que os meus familiares me contaram sobre o meu bisavô (do lado paterno) o guerreiro nobre Dato Jerimias Hahik Wa’in que defendia a bandeira portuguesa e fazia guerra ao lado dos portugueses. Ele era conhecido com o nome Dato Hahik e ele era o sobrinho do Rei de Funar D. João da Cruz.

Dato Hahik na sua vida, ele fazia guerra ao lado dos portugueses. Ele defendia a bandeira Portuguesa em Timor. Muitas guerras que ele participava a favor do Estado Português. Foi assim que o Estado Português numa altura da sua vida atribui-lhe um prémio.

O poder de reinar o reino de Funar passou do mão do seu tio para a mão de D. José do Espírito Santo que era o avô da minha mãe. Enquanto D. José do Espírito Santo ao subir ao trono como Rei, ele teve também apoio do governador de Timor-Português naquela altura. A sua tomada de posse foi realizada no palácio do governador de Timor-Português em Lahane - Dili. O meu bisavô continuava fazer a guerra ao lado dos portugueses e defender a bandeira portuguesa no território de Timor-Português (o antigo nome oficial de Timor-Leste).Todas as minhas gerações do lado paterno sempre tinham respeito aos reis que estavam a governar. Porque temos sempre relações familiares com os reis de Funar e os meus antepassados eram sempre fiéis aos reis e ao Estado Português.  Quando houvesse conflito dentro do reino de Funar os meus antepassados paternos procuravam sempre resolver por via pacífica e procuravam sempre proteger a parte mais fraca.
Eu hoje em dia, como pessoa humana sou muito simples e humildes. Eu procuro sempre ser humilde.  Eu tenho sempre respeito aos familiares do meu pai (do lado paterno e materno) e da minha mãe (do lado paterno e materno). Eu sou fiel e tenho muito respeito ao meu padrinho que actualmente é detentor do poder real de Funar. Mesmo Funar agora já não é um reino e já tornou como um suco pequeno (antigamente Funar era um reino antigo e grande) mas continua existir o poder real tradicional como acontece em todo lado de Timor e eu vou continuar respeitar isso como sempre e vou continuar respeitar todos os meus os familiares. Porque para mim na minha vida eu tenho que respeitar a Igreja Católica e as casas sagradas do meu pai ( do lado paterno e materno) e da minha mãe (do lado paterno e materno).  Ser humilde e respeitar todas as pessoas são algo muito importante da vida.
  

terça-feira, 17 de maio de 2011

As mulheres timorenses também podem governar?





Eu já ouvi muitas pessoas dizem que nos países em vias de desenvolvimento, as mulheres são vulneráveis e são tratadas discriminatoriamente comparando com os homens. A liberdade das mulheres é limitada. As mulheres não podem participar na vida política, social e religiosa. Afinal essas acusações não são totalmente verdadeiras. Mas também não são totalmente erradas. Cada caso é um caso.
Concordo que em todo o mundo há sempre discriminação racial, religiosa e género. Isso acontece também em Timor-Leste. Mas o que certo é nós estamos sempre a procurar melhor maneira de reduzir e de acabar com qualquer tipo de discriminação.  Mas há sempre coisas e funções diferentes entre homens e mulheres na família e na sociedade. O mais importante nós (homens e mulheres) devemos colaborar uns aos outros nas tarefas nas famílias e numa comunidade. Nós, homens, devemos ver as mulheres como parceiro da vida e vice-versa.
Na comunidade antiga de Timor-Leste, acreditamos que as mulheres são sagradas. Há uma expressão em Timor que diz: Feto Maromak.  Este tem significado as mulheres são deusas. Isso porque? Ora, em Timor antigamente a religião era animista. Acreditamos no poder da natureza; a montanha, o mar, o rio, as pedras, as florestas e acreditamos no poder das almas dos antepassados, etc.
Em todo o território de Timor há sempre casas sagradas. Casa sagrada é uma casa que guarda os objectos sagrados e que habitam nas coisas sagradas os antepassados sagrados. Cada clã tem a sua casa sagrada e as pessoas antigamente agrupam-se num reino. Apesar Timor é uma ilha tão pequena mas antigamente havia muitos reinos. Num reino havia muitas casas sagradas e entre casas sagradas haviam casas sagradas de Liurai (Rei em Português) e de Dato (Nobre abaixo do Liurai).  Hoje em dia por vários motivos já não existem reinos. Mesmo assim em cada freguesia ainda se encontram estrutura social tradicional. Ainda existem Liurai e Dato.  
Os timorenses dividem as casas sagradas em dois tipos. Casa sagrada Loro(em tétum), na minha língua idate chama-se Ada Lelo e casa sagrada Rota que se traduz para a minha língua é Ada Ua ou em tétum Uma Rota. Casa sagrada Lelo é que tem função guardar os objectos sagrados, habitam os antepassados sagrados, fazem-se ritual da vida, do casamento, colheita e da morte neste casa sagrada. Todas as clãs podem ter essa casa sagrada para organizar as suas vidas como estão mencionados em cima ( ou por exemplo para orar antes de semear as hortas e ou depois de fazer colheita, cerimónia da morte, cerimónia do casamento, etc).
Agora num reino, antigamente, havia sempre classe social superior que era Liurai e Dato. O liurai e o dato além de ter casa sagrada Lelo, tinham também casa sagrada Ua. As casas sagradas Ua tinham como função de governar o povo. O liurai(Rei) tinha função como chefe de um reino. O dato tinha função na área da justiça e da guerra. Na minha crença tradicional estas casas sagradas Lelo ou de Liurai ou de Dato ou mesmo uma casa sagrada Lelo com uma classe social abaixo do Liurai ou do Dato e ou de qualquer geração nós consideramos sempre que a casa sagrada Lelo é uma casa sagrada Mulher. O nome da casa sagrada é considerado também com o nome Casa Sagrada Mulher.  Enquanto nas casas sagradas de Dato e de Liurai consideramos que casa sagrada Lelo é mulher e casa sagrada Ua é homem. Os dois devem estar sempre unidos.
Acontece que nos reinos antigos de Timor já havia as mulheres que governavam o reino como rainha. Por exemplo Rainha de Camenassa (Camenassa) como se podem verificar na fotografia em cima e no reino de Funar que já foi governado por uma rainha que também se podem verificar num documento em cima com número 35.   Estes documentos e fotografias da Rainha de Suai têm datas diferentes. 
Estes dois reinos eram dois dos reinos mais antigos que existiam em Timor. Então isso para dizer o que? É simplesmente isso para dizer que as ideias de algumas pessoas que pensam que as mulheres não podem governar ou as mulheres em Timor eram muito discriminadas desde tempos antigos não são totalmente verdadeiras. Mas eu não posso dizer também que não há discriminação ou mau trato para as mulheres. Porque sim, existe a discriminação e mau trato para as mulheres feitos por alguns homens. Tem muitas factores que podem levar um homem a praticar violência contra a sua mulher. Esse situação também tem a ver com a educação de cada pessoa, situação económica, a mentalidade, atitude, o ambiente, etc. 

SERÁ QUE TIMOR-LESTE É UM PAÍS CATÓLICO?






Os missionários portugueses foram os primeiros europeus que chegaram em Timor em 1515. Depois em 1651 chegaram também os holandeses na qual conseguiram conquistar e ocupar a parte ocidental da ilha. Em 1859 houve um tratado assinado entre estes dois países europeus para dividir a ilha em duas partes. Timor Ocidental fez parte aos holandeses e Timor Oriental (Timor-Leste) fez parte aos portugueses. Foram os portugueses e holandeses que fixaram a fronteira que funciona até hoje em dia. Timor Ocidental hoje em dia faz parte à República da Indonésia e Timor Oriental tornou-se independente em 1975 e veio restaurar a sua independência em 2002.
Foi por causa desta divisão entre Portugal e Holanda faz surgir as diferenças em termos da religião. Timor Ocidental tem como a maioria população abraça a religião calvinista e em Timor Oriental a sua população na maioria é católico.
Mesmo assim, em Timor Ocidental ainda há algumas zonas que preservam bem a religião católica. Mesmo os holandeses tentaram espalhar a sua religião mas essas zonas continuam abraçar fortemente a religião católica. Essas zonas como por exemplo Larantuka, Flores, Alor e Atambua. Em Alor e Atambua as suas populações dividem-se nestas duas religiões. Enquanto em Larantuka e Flores, eles ainda são católicos e continuam saber rezar em português.
Enquanto em Timor-Leste hoje em dia é conhecido com um país com a maioria da sua população é católica. Mesmo assim não se pode esquecer que no tempo português a religião católica não penetra profundamente na população timorense. Ainda houve grande maioria população que continuava praticar as suas crenças tradicionais. Como podemos verificar no mapa datado em 1882. Até algumas regiões não existiam religião católica. Todas estas regiões no mapa antigamente funcionavam como reinos. Por isso os reinos que não tinham influência da religião católico neste data eram Suai, Atsabe, Manufahi, Cailaco, Cotobaba-Sanir-Balibo. Todos os seus povos eram animista. Enquanto que outros reinos como Cova, Maubara, Liquiça, Deribate, Ermera, Liquiça, Dailor, Faturo e Sarau tinham um número muito pequeno da religião católica. Mas no reino de Oecusse a sua população era na maioria da religião católica e depois a seguir o reino de Manatuto, Alas,  Barique, Vemasse/Laga, Díli, Laclo/Laleia, Viqueque, Ambeno, Luca, Motael, Venilale e Funar.
Por acaso os meus familiares fazem parte do reino de Funar. Aliás no reino de Funar os meus antepassados do lado da minha mãe e do meu pai foram as primeiras pessoas que foram baptizadas.
Ao passo que Laklubar antigamente faz parte ao reino de Samoro. Foi por isso que não apareceu neste mapa em 1882. Mas Funar sim. Funar apareceu porque antigamente Funar era um dos reinos que existia no território de Timor Oriental. Há muita gente não sabe disso. Os que sabem só os que têm interesse na cultura e na história. Laklubar só posteriormente tornou-se como reino a parte do Samoro depois de ter recebido “sorte” de duas localidades: Susuk e Orlau.
No tempo português, o Estado de Portugal não interferiu muito na vida do povo timorense. Cada um era livre de fazer os seus rituais tradicionais segundo as suas crenças tradicionais. Agora era diferente no tempo da ocupação da Indonésia. O Estado da Indonésia nas suas leis obrigava para que cada cidadão tinha que ter uma religião. Quem não tivesse a religião era idêntico como revoltoso ou como comunista. O comunismo era muito proibido em Indonésia naquela altura. Então o povo timorense foi abraçando à religião católica em toda o território de Timor Oriental. Foi assim que o número da religião católica cresceu brutalmente. Era uma forma de resistir contra o islamismo da Indonésia. É porque Indonésia era e é considerado como o país que têm mais número de crentes do islão no mundo. O maior país islão do mundo. Mas mais do que isso é porque Timor Oriental já está ligado há séculos com o catolicismo. Catolicismo não é algo estranho. O catolicismo já existe no meio dos timorenses. Era contrário com o islão. O povo timorense acabou de conhecer o Islão depois da invasão da Indonésia. Então quando era para escolher, o povo timorense na sua maioria escolheu religião católica como a sua religião. Por isso hoje em dia em Timor-Leste a religião que tem maior número de crentes é a religião católica. Aliás no sudeste asiático há dois países que tem na sua população o maior número dos católicos. Esses países são Filipina e Timor-Leste. Por isso foi um erro muito grande quando o primeiro governo constitucional formado por partido Fretilin entrou em conflito com a igreja católica. O conflito entre a Fretilin e a Igreja Católico surgiu por causa da diferença percepção no ensino da religião nas escolas públicas.
Este conflito tornou cada vez mais complicado e tornou cada vez pior e posteriormente levou a hierarquia da Igreja Católica organizou uma manifestação pacífica quase um mês. Eu afinal antigamente era simpatizante da Fretilin. Eu era simpatizante da Fretilin porque a Fretilin sofreu muito durante a resistência pela libertação de Timor-Leste. Mais do que isso é porque em 1975 o meu avô também era um dos principais delegados da Fretilin em Funar.  Em 1975 o meu avô, o chefe aldeia de Bamatak e chefe aldeia de Fahilihun receberam a entrada da Fretilin em Funar. Mas quando aconteceu manifestação da Igreja Católica eu fiquei triste. Nós não devemos esquecer que durante a resistência, a Igreja Católica assumiu o papel muito importante na luta. Depois da libertação na constituição da República reconhece a participação da Igreja Católica na resistência pela libertação da pátria. Então durante a manifestação da Igreja Católica eu de vez em quando fui participar rezar a noite com os outros manifestantes no Jardim de Lecidere, o sítio na qual concentraram todos os manifestantes de todo o território de Timor-Leste. A partir deste acontecimento eu decidi não continuar ficar como simpatizante da Fretilin. Eu queria ser independente e ser um académico para eu puder contribuir ou dar opiniões ao processo de desenvolvimento do país sem misturar coisas partidárias.
Então será que Timor-Leste é um país católico? Pois Timor-Leste é um estado laico mesmo assim a prática da religião católica ainda é grande e é muito bem visível em todo lado do território. Mais do que isso o Catolicismo já não é só como o maior religião de Timor-Leste mas também já se tornou como uma identidade do povo timorense. Uma identidade que já penetra na alma de cada timorense.